Uma vida intensamente vivida
Pier Giorgio Frassati escreveu certa vez que não devemos apenas existir, mas viver. Embora sua vida tenha sido breve, foi extraordinariamente rica em interesses e atividades, abrangendo desde as coisas mais simples do cotidiano até as mais elevadas aspirações espirituais.
Era um jovem de energia inesgotável. Praticava diversas modalidades esportivas, entre elas natação, vela, esqui, caminhadas, alpinismo, ciclismo, esgrima, patinação no gelo e hipismo. Estudou agricultura e engenharia, teve aulas de piano e dança e gostava muito de cantar. Recitava poesias e longos trechos de Dante, traduzia textos do latim para o italiano e mantinha o hábito de colecionar objetos com grande cuidado. Falava vários idiomas e tinha grande apreço pela ópera, pelo teatro e pelos museus de arte. Viajou bastante e cultivava também o gosto pela fotografia.
Seu temperamento era expansivo e cheio de vida. Podia ser barulhento e entusiasmado com os amigos ou profundamente recolhido e reverente diante das coisas de Deus. Sentia-se igualmente à vontade entre os pobres nas ruas e entre membros da alta sociedade nos salões da embaixada. Tinha um senso de humor vivo e uma alegria contagiante. Ao mesmo tempo, nutria um amor profundo por Deus, pela Igreja, por sua pátria e por todas as pessoas que encontrava.
Não buscava ambições terrenas, mas possuía uma determinação firme. Sua vida não foi vivida ao acaso, mas com intenção e propósito.
Sua irmã Luciana recordava esse traço com admiração:
“Ele era um homem que não reclamava nem se envergonhava de fazer nada, contanto que fosse para a glória de Deus. Assim, podia ser visto movendo os bancos da igreja, varrendo o chão, colocando as toalhas do altar, carregando plantas, trocando a água dos vasos, arrumando as vestes sagradas e ajudando o padre a se paramentar. Podia estar mancando com uma muleta, pálido e cansado depois de uma de suas excursões às montanhas, ou feliz, saudável e cheio de força — não importava.”