Sua Vida Estudantil

A vida escolar de Pier Giorgio Frassati começou em casa, ao lado de sua irmã Luciana. Desde cedo, os dois compartilharam não apenas o ambiente familiar, mas também os primeiros passos na formação intelectual.

Em 1910, ambos foram aprovados nos exames de admissão para a escola estadual Massimo D’Azeglio, em Turim. No entanto, após alguns meses, sua mãe percebeu que ainda eram muito jovens para enfrentar o ritmo da vida escolar e decidiu retirá-los temporariamente. No ano seguinte, voltaram à escola e foram matriculados na mesma série, apesar da diferença de idade entre eles.

Em 1913, quando Pier Giorgio tinha doze anos, sua trajetória acadêmica sofreu um revés que, paradoxalmente, acabaria por marcar profundamente sua formação espiritual. Reprovado nos exames de latim, ele foi transferido para uma escola particular administrada pelos jesuítas, o Istituto Sociale.

O sistema educacional italiano permitia que alunos de escolas particulares cursassem dois anos em um. Assim, Pier Giorgio repetiu o conteúdo em que havia sido reprovado enquanto acompanhava simultaneamente a série seguinte. Ao final daquele ano, conseguiu cumprir os requisitos de ambas as etapas e retornou à escola estatal para reencontrar seus colegas.

A reprovação, no entanto, o marcou profundamente. Sentindo-se envergonhado e desejoso de reparar a decepção causada aos pais, escreveu ao pai uma carta sincera, na qual expressava seu arrependimento e sua determinação em estudar com mais empenho.

Foi no ambiente do Istituto Sociale que Pier Giorgio encontrou, pela primeira vez, um contexto que alimentaria de modo decisivo sua vida espiritual. Em fevereiro de 1914, ingressou no Apostolado da Oração, na Cruzada Eucarística e na Companhia do Santíssimo Sacramento. Ali também foi incentivado a receber a Comunhão diariamente, prática que, na época, ainda exigia o consentimento dos pais.

Segundo o padre jesuíta Pietro Lombardi, que foi seu diretor espiritual, Pier Giorgio acolheu imediatamente o convite para a comunhão diária. A mãe, Adelaide Frassati, inicialmente se opôs, temendo que a prática se tornasse um hábito superficial. Depois de algumas discussões, concordou-se que o jovem comungaria apenas uma vez por semana.

Poucos dias depois, porém, Pier Giorgio bateu à porta do padre Lombardi radiante de alegria. Com entusiasmo, anunciou que havia conseguido permissão para receber a Comunhão todos os dias. A persistência silenciosa do jovem havia vencido a resistência inicial da família.

Em outubro de 1914, ele retornou à escola estadual e voltou para a mesma turma de Luciana. Contudo, em 1917, aos dezesseis anos, enfrentou novamente dificuldades acadêmicas e foi reprovado pela segunda vez em latim. Mais uma vez precisou retornar ao colégio jesuíta, onde concluiria o ensino médio.

Apesar dessas dificuldades escolares, sua formação interior continuava a amadurecer. Em 1918, recebeu o certificado de conclusão do ensino médio e matriculou-se na Escola de Engenharia Mecânica Industrial do Instituto Politécnico de Turim, escolhendo a especialização em engenharia de minas.

A escolha não foi casual. Como confidenciou a um amigo, desejava tornar-se engenheiro de minas para poder servir melhor a Cristo entre os mineiros. Naquele tempo, os trabalhadores das minas figuravam entre os mais pobres e submetidos às condições de trabalho mais duras. A perspectiva de partilhar a vida com esses homens revelava já o espírito missionário e social que marcaria toda a vida de Pier Giorgio.

Enquanto sua irmã Luciana avançava brilhantemente nos estudos, obtendo em 1923 o doutorado em direito com distinção, Pier Giorgio continuava a enfrentar dificuldades em sua vida acadêmica. Ele mesmo reconhecia essas limitações com simplicidade e humor em suas cartas aos amigos.

Em janeiro de 1925, escreveu a Marco Beltramo relatando mais um exame difícil, confessando que o professor o havia interrompido depois de uma longa série de perguntas. Ainda assim, não desanimava. Até os últimos dias de sua vida, continuou tentando concluir os exames necessários para se formar.

Quando morreu, em julho de 1925, ainda lhe faltavam dois exames para completar o curso de engenharia. Décadas mais tarde, no entanto, em reconhecimento à sua figura extraordinária, o Instituto Politécnico de Turim decidiu conceder-lhe, de modo simbólico e póstumo, o título de engenheiro mecânico, no dia 6 de abril de 2001, centenário de seu nascimento.

Assim, mesmo em sua trajetória acadêmica marcada por dificuldades, permanece um testemunho eloquente de perseverança, humildade e de um coração orientado, acima de tudo, para servir.