O processo de canonização de Pier Giorgio Frassati
Após a morte de Pier Giorgio Frassati, em 1925, sua fama de santidade começou a se espalhar rapidamente. Sete anos depois, diante dos numerosos testemunhos e pedidos recebidos, a Arquidiocese de Turim decidiu iniciar oficialmente o processo canônico para investigar sua vida e suas virtudes.
Em 2 de julho de 1932 foi aberto o Processo Informativo Ordinário sobre sua reputação de santidade. Durante três anos foram reunidos documentos relativos ao seu nascimento, batismo e outros sacramentos, além de depoimentos de testemunhas. Ao todo, vinte e cinco pessoas foram ouvidas, entre elas o médico Ferdinando Micheli, que o assistiu durante a doença que levou à sua morte. O processo foi encerrado em 23 de outubro de 1935.
Em 1935, os atos do processo foram abertos na Sagrada Congregação dos Ritos, em Roma. A documentação reunida era extensa, contendo mais de três mil páginas. Em 21 de dezembro de 1938 foi promulgado o decreto sobre os escritos de Pier Giorgio. A postulação da causa ficou sob responsabilidade dos padres salesianos, que prepararam a documentação necessária para a introdução oficial da causa.
Entretanto, quando a Congregação se reuniu em 9 de dezembro de 1941 para deliberar sobre a introdução da causa, surgiram dificuldades inesperadas. No próprio dia da votação chegou uma carta anônima que levantava suspeitas genéricas sobre a integridade moral de Pier Giorgio. Diante dessa situação, o Papa Pio XII decidiu suspender temporariamente o processo e solicitar investigações adicionais. Em 1942 foram realizados processos suplementares em Turim e em Roma. Apesar de muitos testemunhos favoráveis, a causa acabou sendo interrompida em 1945 com a decisão de “non expedire”, isto é, de não prosseguir naquele momento.
Durante as décadas seguintes, a irmã de Pier Giorgio, Luciana Frassati, empenhou-se incansavelmente para restaurar plenamente a reputação do irmão e esclarecer qualquer dúvida que tivesse surgido. Em 1951 ela reuniu e enviou à Congregação 955 testemunhos que confirmavam suas virtudes. Um relatório favorável foi elaborado em 1953, mas acabou arquivado e permaneceu por muitos anos sem ser apresentado ao Papa.
Somente a partir da década de 1960 o processo voltou a receber atenção. Novas investigações foram realizadas e os pontos controversos foram esclarecidos de forma favorável. Em 1974 o Secretário de Estado solicitou que a causa fosse novamente examinada. No ano seguinte, o Papa Paulo VI manifestou sua preocupação com a lentidão do processo e pediu que o Arcebispo de Turim fosse consultado sobre a oportunidade de retomá-lo. A resposta foi imediata e positiva, destacando a importância do testemunho cristão oferecido por Pier Giorgio.
Em 1977 o Papa autorizou que a causa prosseguisse. A Ação Católica Italiana foi reconhecida como promotora da causa, e um novo postulador foi nomeado. Em 1978 a introdução oficial da causa foi aprovada unanimemente.
Entre 1980 e 1981 ocorreu o processo apostólico sobre as virtudes do Servo de Deus. Em 23 de outubro de 1987 foi promulgado o decreto que reconhecia suas virtudes heroicas, declarando-o Venerável.
Pouco depois foi reconhecido o milagre atribuído à sua intercessão: a cura de Domenico Sellan, que sofria de doença de Pott com paraplegia. Em 21 de dezembro de 1989 foi promulgado o decreto que reconhecia oficialmente esse milagre.
Finalmente, em 20 de maio de 1990, o Papa São João Paulo II celebrou a beatificação de Pier Giorgio Frassati na Praça de São Pedro, em Roma.
Posteriormente, em 30 de junho de 2010, a advogada Silvia Correale foi nomeada postuladora da causa de canonização. Em 29 de setembro de 2023 foi apresentado ao Dicastério para as Causas dos Santos um novo milagre atribuído à sua intercessão, iniciando-se a fase final para sua canonização.
A vida de Pier Giorgio continua a inspirar gerações. Como ele próprio escreveu:
“Viver sem fé, sem uma herança a defender, sem sustentar a verdade numa luta contínua não é viver, mas fingir que se vive.”