Seu envolvimento Político

O contexto político de seu tempo

Para compreender plenamente o envolvimento político de Pier Giorgio Frassati, é necessário considerar o contexto histórico em que viveu. A Primeira Guerra Mundial começou quando ele tinha apenas treze anos. O conflito, um dos mais sangrentos da história, durou quatro anos e provocou a morte de mais de dezesseis milhões de soldados e civis.

O pai de Pier Giorgio, Alfredo Frassati, era fundador e diretor do La Stampa, o principal jornal matutino da Itália. Naquele tempo não havia internet, televisão nem transmissões regulares de rádio. A principal fonte de informação da população eram os jornais, o que tornava Alfredo Frassati uma figura particularmente influente na vida pública italiana.

À medida que mais países se envolviam no conflito, Alfredo defendia em seu jornal que a Itália permanecesse neutra. O clima político, porém, era extremamente tenso. As discussões eram tão intensas que chegavam a provocar conflitos até entre os jovens. Em certa ocasião, Pier Giorgio e alguns colegas chegaram a brigar fisicamente por causa das posições políticas defendidas por seus pais.

Apesar dos debates e da oposição de alguns setores, a Itália acabou entrando na guerra. Quando o jardineiro da família Frassati foi convocado para o serviço militar, Pier Giorgio decidiu fazer um curso de agricultura para ajudar a cuidar das terras durante sua ausência. Em outra ocasião, ao ouvir de uma criada da casa a notícia de um ataque inimigo que havia matado cerca de dois mil soldados italianos, ele respondeu com emoção: “Natalina, você não daria a sua vida para acabar com a guerra?… Eu daria, daria hoje mesmo.”

O fim da guerra foi anunciado em 4 de novembro de 1918. Pier Giorgio estava em Pollone e correu até o campanário da igreja paroquial para tocar os sinos e anunciar a notícia. A alegria pelo término do conflito, contudo, logo deu lugar a outra realidade: milhares de soldados retornavam mutilados, desempregados e em situação de grande pobreza. Esse cenário marcou profundamente o jovem e o levou a ingressar na Sociedade de São Vicente de Paulo, dedicando-se concretamente ao socorro dos necessitados.

Mesmo após o fim da guerra, o clima político na Itália continuava agitado, enquanto o fascismo começava a ganhar força. Nesse contexto, surgiu o Partito Popolare Italiano (Partido Popular Italiano), fundado por católicos com o apoio do Papa Bento XV. Pier Giorgio decidiu aderir ao partido, decisão que não agradou ao pai.

Sua experiência no trabalho com os pobres por meio da Conferência de São Vicente de Paulo o levou a perceber que a caridade, embora essencial, não era suficiente para transformar as estruturas sociais injustas. O Partido Popular Italiano o atraía porque procurava aplicar na vida pública os princípios da encíclica Rerum Novarum, que tratava da dignidade do trabalho e da justiça social. Pier Giorgio se preocupava profundamente com a situação da classe trabalhadora e participava ativamente das reuniões e iniciativas do movimento.

Ao mesmo tempo, a Igreja enfrentava momentos de forte hostilidade social. Segundo relata sua irmã Luciana, bastava alguém gritar “Há um padre no trem!” para que a partida fosse interrompida por manifestações agressivas. Mesmo assim, Pier Giorgio nunca hesitou em participar de procissões públicas e chegou a ser detido mais de uma vez.

Físicamente forte e dotado de grande coragem, ele detestava a violência, mas não recuava quando se tratava de defender a dignidade humana e a fé. Considerava que as guerras eram, em grande parte, consequência do afastamento do espírito cristão da vida social. Por isso via seu engajamento político não apenas como uma escolha cívica, mas como uma expressão concreta de sua fé.

Em suas palavras:

"Os governos de hoje não estão dando ouvidos ao alerta do Papa: 'A verdadeira paz é mais fruto do amor cristão ao próximo do que da justiça', e estão preparando novas guerras para o futuro da humanidade. A paz não pode retornar ao mundo sem Deus."

São Pier Giorgio Frassati
Frassati, um Santo Anti Facista
10:45
Política
Frassati, um Santo Anti Facista