Um amigo que chegou no tempo de Deus
Um encontro inesperado na sacristia, um sorriso que tocou o coração e uma amizade que nasceu pelas mãos de Deus.
Meu primeiro encontro com Pier se deu na sacristia da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, localizada na cidade onde moro aqui no interior do Ceará – imagine, dois jovens que viveram em épocas diferentes, com espaço de tempo enorme e a quilômetros de distância um do outro encontrarem-se em uma pequena sacristia de uma pequena cidade só porque Deus quis. Foi exatamente isso que aconteceu.
Sempre fui curiosa e certo dia participando da Santa Missa percebi um quadro escondido atrás da porta de saída da sacristia, ao fim da Missa fui olhar do que se tratava. Era um quadro com vária imagens de Santos e Beatos contendo seus nomes. Entre os Beatos estava Pier. Me perguntei o que tinha levado aquele jovem a não ter sido canonizado ainda e resolvi pesquisar sobre a sua história de forma totalmente despretensiosa – até então ainda não sabia que ele já havia me escolhido como amiga e queria ajudar a mim com seu próprio testemunho de vida.
Ao chegar em casa entrei no Google e pesquisei, li tudo que havia encontrado mas nada me explicava o porque a canonização ainda não tinha chegado e a dúvida que pairava na minha mente era “porque alguns santos são canonizados primeiros que outros?” Me conformei com a resposta que é a vontade de Deus e deixei passar. Até então ainda não tinha surgido em meu coração o amor pela vida de Pier. Segui a vida.
Até que certa vez um amigo postou um print nos status de um post que um Instagram Católico havia feito e falava sobre Pier – nessa época eu não tinha redes sociais além do Whatsapp, mas aquele post chegou até mim – ao perceber que aquele era o mesmo rapaz que há alguns meses atrás eu tinha encontrado na sacristia meu coração genuinamente se alegrou e pulou no peito, uma semente havia sido plantada naquele primeiro encontro, ali surgia a devoção e naquele momento eu me alegrei com a vida e testemunho de Pier.
Lembro-me de pensar “Esse cara quer ser meu amigo” e ali mesmo eu me entreguei e me abri à amizade de Pier. Não lembro o que dizia o post – talvez falasse sobre sua canonização e eu torci como se já esperasse por isso a muito tempo mesmo não tendo mais visto nada dele há meses – lembro apenas de minha atenção ter se voltado para o sorriso de Pier na foto. Pensei: Esse é o sorriso de alguém que verdadeiramente encontrou a Deus e fiquei encantada.
Eu ainda não entendia porque aquele sorriso havia me cativado tanto mas eu sabia que havia algo sobrenatural e o carinho por Pier e o seu sorriso só cresceram. Nasci em família Católica mas me afastei da Igreja na adolescência, retornei após sofrer muito com ansiedade e episódios depressivos e mesmo após entrar no grupo de oração ainda não sentia que dava testemunho da alegria que vive alguém que encontrou-se com Cristo e isso me entristecia mais.
Aquela foto me incomodava – da maneira mais amorosa possível – nesse ponto. Eu achava e dizia para mim mesma que queria sorrir daquele jeito. Hoje enxergo que Deus usou o registro para me mostrar que eu também posso ser feliz daquela maneira, que Ele também me quer feliz e sorrindo daquela maneira.
Até então não tinha conhecimento do apostolado de Frassati com os depressivos. Ao ouvir o testemunho que seu amigo escreveu ao encontrá-lo na estação de trem e que sua simples presença irradiava alegria eu finalmente entendi o sentido dessa amizade e o porque Jesus permitiu que nos encontrássemos. A vida de Pier é um espelho para mim assim como a de Santa Teresinha.
Quando vi que sua canonização seria no mesmo ano que a de Carlo – Beato até então mais conhecido que Pier – roguei ao Senhor para que fossem canonizados juntos, pois o testemunho de Pier precisava ser mais conhecido e com o auxilio de Carlo seria. Obviamente que não imaginava que as coisas se dariam da forma como se deram mas de uma maneira ou de outra o meu pedido foi atendido e Pier foi canonizado no mesmo dia que Carlo, jogando uma grande luz sobre o seu testemunho.
Celebrei ao ver sua imagem oficial ser estendida nas janelas do Vaticano, foi como celebrar um amigo que eu já conhecia há anos e que naquele dia estava recebendo um prêmio. A dúvida que citei anteriormente foi totalmente sanada, Deus sabe o que faz e preparou a canonização de Pier para aquele exato momento onde jovens do mundo inteiro estariam acompanhando.
Quantos amigos Pier não recebeu após aquele dia, quantos jovens tristes que assim como eu se sentiram chamados a conhecer mais aquele rapaz e foram impactados pelo seu testemunho de animo diante da vida. Quantos jovens não se converteram ao conhecê-lo.
Então esse ano me preparei para rezar a Novena pela primeira vez e com Pier sendo Santo e já tenho testemunho sobre isso com graças alcançadas. Porém ficará para um outro momento se eu tiver a oportunidade.
Desde já agradeço pela dedicação de vocês que fazem o apostolado a São Frassati aqui no Brasil, vocês foram a primeira página que segui dedicada a Pier depois que voltei ao Instagram e estou acompanhando a novena com vocês. Deus seja louvado pela vida de cada um que se dedica a esse apostolado e a divulgar a vida e testemunho de São Pier Giorgio Frassati.
Forte abraço e verso l’alto.
Com carinho,
Nágela Vieira

Obs.: A falta de indicação da passagem de tempo nesse testemunho se dá pelo fato de eu simplesmente não lembrar quando o conheci, quando o encontrei pela primeira ou pela segunda vez. Lembro-me apenas de no último 7 de Setembro estar conectada ao canal do Vaticano para ver Pier e lá eu já o amava. Porém, se tivesse eu estipular diria que tudo isso aconteceu em um espaço de tempo de 2 anos, 3 anos no máximo.