Eu vi, nos olhos de Papa Francisco, o quanto ele amava Frassati
Naquele momento, dentro de mim, eu só conseguia pensar: “Ele realmente ama o Frassati”.
Roma, Sábado, 25 de maio de 2024, 10h09; audiência privada com o Papa Francisco.
Eu me lembro com muita clareza daquele momento. O ambiente era de alegria e ao mesmo tempo solene, como costumam ser as audiências no Vaticano, mas dentro de mim havia uma mistura de emoção, expectativa e uma certa consciência de que aquele encontro não seria apenas mais um.
Quando me aproximei do Papa Francisco, levei comigo algo muito simples, mas que para mim carregava um significado enorme: a biografia “Meu amigo Frassati”, escrita pelo Rafael Menegassi, que também faz parte do nosso apostolado no Brasil. Ao entregar o livro, eu pensava em tudo o que Frassati já tinha feito na minha vida e na vida de tantas pessoas.
A conversa começou de forma muito natural. Francisco tem esse jeito próximo, de quem escuta de verdade. E, em um determinado momento, quase como quem partilha algo do coração, ele me disse que tinha a intenção de canonizar dois beatos: Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis.
Naquele instante, eu entendi o peso do que estava ouvindo. Ainda não havia nenhum anúncio público, nada tinha sido divulgado. Era uma confidência. E, ao mesmo tempo, era impossível não perceber a importância daquilo.
Mas, sendo muito sincera, o que mais me marcou não foi nem a informação em si.
Foi o olhar dele.
Enquanto ele falava de Frassati, eu via nos olhos do Papa um carinho muito profundo, quase como quem fala de alguém que ama de verdade. Não era distante, não era institucional. Era pessoal. Era real.
Naquele momento, dentro de mim, eu só conseguia pensar: “Ele realmente ama o Frassati”.
E isso me tocou profundamente, porque confirmou algo que eu mesma já experimentava: Frassati não é apenas uma devoção, ele é uma presença viva, que continua alcançando pessoas.
Esse encontro aconteceu cerca de 11 meses antes da morte do Papa Francisco. Hoje, quando eu releio essa memória no coração, ela ganha ainda mais sentido. Parece que eu estava diante de algo que ultrapassava aquele momento, quase como uma antecipação de algo que a Igreja inteira ainda iria viver.
Eu saí dali em silêncio, guardando tudo. Não como quem guarda um segredo qualquer, mas como quem recebe uma graça.
E, até hoje, quando me lembro, volto exatamente para aquele instante: a sala, o silêncio, a simplicidade… e aquele olhar que dizia muito mais do que qualquer palavra.